5/23/08

A Consciencia da Morte

A consciência da morte é o saber de antemão que a vida está perdida – vivemos e temos que morrer. Neste sentido não é mortal quem morre, mas sim quem sabe que vai morrer, ou seja, quem tem a consciência em deixar de viver. Isto dá-nos a essência do “eu”, de que somos uma unidade. Neste sentido a morte é minha porque sou “eu” e depois dela não virá ninguém igual. Somos assim, seres únicos e irrepetíveis. Sendo a morte uma possibilidade que torna tudo impossível, o acabar da individualidade esgota-se com o fim do mundo. Mundo não no sentido físico (como se apresenta), mas sim o mundo como representação. Segundo Martin Heidegger nos diz que "da mesma forma que só o ser humano é que acaba (morre), também apenas o ser humano existe porque só ele tem mundo". É pela linha da morte que somos todos iguais. A linha que une todas as diferenças. Ela permite unir toda a humanidade.




Como esta obra fala sobre a consciência da morte, tenho que falar também sobre a questão do espírito. O espírito nasce da nossa consciência da morte. Aquilo a que chamamos de espírito é uma coisa que parece que entra em cena para dizer que não podemos dar o nosso corpo como garantido. O espírito irá sobreviver do corpo. O espírito parece-se como uma característica indefinidamente humana mas que aparece apenas no sentido de nos alerta que nos vai deixar com a morte do corpo, dado que ele apenas garante o nosso saber da inevitabilidade da morte uma vez que nasce da consciência da própria morte. Sendo assim, o espírito não é aquilo que nunca morre, mas aquilo que nos permite saber que vamos morrer. Falando propriamente da minha obra, ela trata todos estes temas a respeito da morte, do espírito e da consciência da morte. Sendo assim, fotografei cadáveres, fragmentos de cadáveres pretendendo com isso criar uma metáfora. Captando uma imagem viva de uma coisa morta. Como refere Roland Barthes em a câmara clara: "a presença da coisa nunca é metafórica, e no que respeita aos seres animados, a sua vida também não, salvo se fotografarmos cadáveres". A fotografia, neste caso, certifica por assim dizer que o cadáver está vivo enquanto cadáver. A minha ideia neste projecto é também mencionar e transmitir “o isto foi” mas ao mesmo tempo o “ isto será” assim com o aparecimento da morte (aspecto visual). A tal consciência de que falei anteriormente. Outro ponto do meu projecto e não menos importante, é a transição entre a vida e a morte, do positivo – vida, e do negativo – morte. Este projecto tem o objectivo de criar uma acção de consciencialização no ser humano, de que a morte existe e também de que para falarmos da vida teremos que mencionar a Morte.


Como refere Roland Barthes em a câmara clara: "a presença da coisa nunca é metafórica, e no que respeita aos seres animados, a sua vida também não, salvo se fotografarmos cadáveres". A fotografia, neste caso, certifica por assim dizer que o cadáver está vivo enquanto cadáver. A minha ideia neste projecto é também mencionar e transmitir “o isto foi” mas ao mesmo tempo o “ isto será” assim com o aparecimento da morte (aspecto visual). A tal consciência de que falei anteriormente. Outro ponto do meu projecto e não menos importante, é a transição entre a vida e a morte, do positivo – vida, e do negativo – morte. Este projecto tem o objectivo de criar uma acção de consciencialização no ser humano, de que a morte existe e também de que para falarmos da vida teremos que mencionar a Morte.




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